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Seminário sobre acordo do Mercosul com União Europeia acontece na CUT Rio

Atividade recebeu sindicalistas e representantes da FIRJAN e FIESP para comentar avanços do acordo que pretende mudar relações bilaterais dos blocos

Publicado: 23 Agosto, 2019 - 12h29

Escrito por: CUT Rio

Divulgação
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O seminário “Acordo Mercosul - União Europeia” aconteceu na tarde e noite desta quinta-feira (22) na sede da CUT Rio e teve a presença de Paulo Cayres (CNM), Duda Quiroga (Secom CUT Rio), Professor Julio Sergio (FIESP) e Thomaz Leal (FIRJAN).

Foram discutidas as visões das entidades acerca do tratado ainda nebuloso que está sendo negociado entre o Mercosul e a União Europeia que mira em tarifas zero de importação e exportação de até 90% dos bens industriais entre os blocos.

Duas mesas foram compostas para analisar os impactos em nível nacional e em seguida no nível estadual. O ponto em comum entre todos os participantes é que o Brasil terá na próxima década que se modernizar para absorver os impactos sobre nossa economia. Desde legislações tributárias até o nível de infraestrutura necessários para ter competitividade nessa esfera.

O professor Julio Sergio da IEDI-FIESP enxerga que “Temos muito a perder se não capacitarmos nossos trabalhadores e modernizamos os sistemas de tributação interna.” e que “Se o Brasil não se preparar, é melhor não fazer.”. Também assume que as defesas brasileiras passam por uma defesa (ainda que em sua visão, minimalista) de empresas públicas como Eletrobrás e Petrobrás.

Já para Paulo Cayres (CNM), “Nos preocupa muito esse acordo realmente acontecer da maneira que está. O maior parceiro comercial do Brasil são os países do mercosul. Se a gente abre indiscriminadamente para europa a tarifa zero, perdemos em competitividade regionalmente. Seria uma tragédia para nossa indústria.”, a preocupação também se estende em modelos de tratados que pesaram em cima dos trabalhadores, como a ALCA foi para os trabalhadores da indústria do México, que teve pouco impacto sobre a economia se comparado com a ampla abertura que o acordo deu.

Também chama a atenção a falta de transparência do acordo, que tem muito do seu conteúdo não publicado, fazendo com que as representações dos trabalhadores pouco tenham em mãos para dar suas opiniões e aprimorar as propostas. 


“O que nós defendemos é uma lógica de fortalecimento do nosso setor produtivo. Nós estamos colocando uma proposta dentro da CUT que tem que vir primeiro a preparação da economia para receber esse acordo. O Estado como indutor desse processo.” diz Paulo Cayres.


O debate da segunda mesa girou em torno da capacidade de preparação que o Estado do Rio de Janeiro tem para absorver o acordo. Com um setor industrial fragilizado, “O Rio de Janeiro foi um dos estados que mais recebeu incentivos, principalmente para indústria na última década. Esse dinheiro foi acabando e houve uma falta de habilidade dos governos estaduais para gerir essa diminuição. Se não conseguimos nos programar para investir nos tempos de vacas gordas, o que garante que teremos capacidade de nos prepararmos na próxima década para receber esse acordo sem destruir nosso setor produtivo.“. Com a implementação de tarifação zerada, teremos falta de meios de arrecadação que podem cair como uma bomba. “Se a gente asfixia a entrada de dinheiro no Estado a gente tem impacto direto na capacidade de investimento do governo para desenvolvimento.” Conclui Duda Quiroga.

Pela FIRJAN, Thomaz Leal analisa que o principal gargalo é a reforma tributária que ainda não foi votada, que segundo ele, pode dar mais competitividade ao nosso mercado “Esse acordo com a entrada de produtos sem tarifa podem ter um grande potencial destrutivo. Tem que dar condições a indústria de ser competitiva, tem que ter infraestrutura, uma reforma tributária” e conclui que o tempo é suficiente para fazer as mudanças necessárias “Temos um prazo de até 15 anos para este acordo entrar em pleno vigor, isso é tempo suficiente para fazer as mudanças necessárias para não destruir nossa competitividade.”