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Secretário de Desestatização diz que vai privatizar “só 17%” das estatais

O que é classificado como “só 17%” corresponde a R$118,2 bilhões de empresas que dão lucro

Publicado: 19 Agosto, 2020 - 11h46

Escrito por: CUT Rio

Divulgação
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Na última semana, foi veiculado na imprensa que o secretário de Desestatização, Diogo Mac Cord, irá avançar sobre subsidiárias para prosseguir com o plano de entrega do patrimônio brasileiro. Vetadas por Bolsonaro, as empresas-mãe estariam, por ora, protegidas.

A estratégia não é nova, foi empregada no governo Temer com o aval do STF. O Supremo decidiu que poderiam ser vendidas subsidiárias das grandes empresas brasileiras e a estratégia foi montada. Fatiaram as companhias em lotes para vendas muito rápidas, impossibilitando qualquer defesa organizada da classe trabalhadora. O que serviu de modelo para esse planejamento que está sendo praticado agora, foi a privatização da BR Distribuidora, que tinha o papel de contenção dos preços dos combustíveis.

“Quando tentaram pela primeira vez em 2016, nós conseguimos fazer greve, entrar com ações na justiça e freamos o processo. O que eles fizeram foi vender parte das ações. Nesse processo aconteceram muitos assédios. Temos muitas provas, mensagens, vídeos, áudios. Fizeram planos para as pessoas saírem sem nada, tivemos que ir até a justiça para garantir que as pessoas tivessem o mínimo. Foi devastador. Eles fizeram isso para treinar.” diz Ligia Deslandes, funcionária da BR Distribuidora e secretária-geral da CUT Rio de Janeiro.

Segundo a dirigente sindical, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem um plano muito bem orquestrado para sequestrar as empresas públicas “Eles estão privatizando tudo a preço de banana. Isso tem um motivo, o Paulo Guedes é sócio do BTG Pactual. Tendo um banco com dinheiro fora do Brasil, eles repatriam esse dinheiro colocando as empresas no bolso. É um processo de transferência de dono do Estado para a mão deles mesmos.”

A estratégia que mira “só 17%” das estatais é um caminho de enfraquecimento das mesmas. São vendidas partes cruciais para a operação total da empresa, colocando principalmente os mecanismos de controle de mercado na mão privada. Depois é só continuar fatiando e vendendo a preços irrisórios. O plano final é transformar as empresas em fantoches do mercado, sem nenhuma relevância real na economia. O processo que é observado hoje na Eletrobrás é o mesmo que aconteceu com a BR Distribuidora.

O Rio de Janeiro, por ter sido capital, é um estado que concentra muitas estatais. Com a política de demissões em massa, que ocorre cada vez que se privatiza uma subsidiária, o caminho vislumbrado é uma massa de trabalhadores especializados sem ter onde se alocar. O estado já está com a economia fragilizada com a baixa de investimentos federais e queda mundial dos preços do petróleo. Desmontar o funcionalismo público por aqui é uma sentença de morte. Teremos um estado modelo do que é entregar o que é do coletivo para as mãos de poucos. “Segundo eles o povo não precisa de educação pública, de saúde pública, de nada público. A resposta é recorrer às empresas que eles mesmos são donos. O Bolsonaro é um ventríloquo na mão do Guedes que é o articulador dessas elites.” conclui Ligia Deslandes.