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RJ diz Ditadura Nunca Mais na ABI

Ato chamado pela CNV e OAB buscou jogar luz sobre o momento de retrocessos nos direitos a memória, verdade e justiça

Publicado: 04 Setembro, 2019 - 13h02

Escrito por: CUT Rio

Divulgação
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Na noite desta terça-feira (03), reuniram-se na ABI juristas, defensores dos direitos humanos, professores, parlamentares e ex-parlamentares com o intuito de reprovar as tentativas do atual governo de reescrever a história e dificultar os trabalhos democráticos por diversas vias. O ato lotou a galeria da ABI com mais de mil pessoas presentes.

O tom era de reflexão e protesto, como disse em sua fala Rosa Cardoso, da Comissão Nacional da Verdade. Era um repúdio ao “momento que vimos insultos e ações destrutivas ao direito de memória, verdade e justiça.” Ela se referia aos ataques de Bolsonaro ao pai do presidente da OAB, o desaparecido político Fernando Santa Cruz.

Em diversos momentos foi lembrado que a Comissão Nacional da Verdade é uma política de Estado e não de governo. “Quando a Comissão Nacional da Verdade foi instaurada conseguimos levantar parte da podridão que aconteceu durante a ditadura, em especial para os mais jovens que não viveram isso” - disse José Carlos Dias, presidente da Comissão Arns.

O momento atual não foi esquecido, e se traçou um paralelo entre o que aconteceu no passado e o que acontece atualmente no país, “O processo histórico é irreversível, ele pode passar por eclipses, mas é irreversível. Aqui reunimos a ponta de dois fios, um da memória e outro do presente. O fio que une a morte de Marighella a de Marielle.” concluiu Paulo Vanucci, também membro da Comissão Arns.

O ex-duputado Wadih Damous falou não somente como ex-parlamentar, mas também como ex-presidente da OAB, em solidariedade ao atual presidente Felipe Santa Cruz. Traçou paralelos e diferenças entre uma ditadura formal e um modelo atual de repressão, mais difuso e difícil de combater. Se no passado o povo sabia exatamente quem oprimia - O Estado - agora sente o medo nas ruas em usar um adesivo ou uma camisa vermelha. Ele caracterizou esse processo como “fascistização da política”.

Foram levantadas importantes questões sobre como o governo tenta impedir, ou pelo menos atrapalhar, os trabalhos das comissões de anistia e de desaparecidos. A professora Carol Proner fala mais sobre os meios obscuros que tentam implementar, “Nós sabemos que justiça de transição é uma disputa. Não adianta achar que um ponto está superado. A comissão de anistia sofre um assédio muito forte desde o dia seguinte ao golpe de 2016. Eles não podem extinguir a comissão, pois ela é lei. O que eles fazem é reorganizar a comissão para que nada funcione e nenhuma recomendação seja acatada.”