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Rio: 39 chacinas apenas em um ano do governo Claudio Castro.

A violência policial foi normalizada?

Publicado: 27 Maio, 2022 - 17h32 | Última modificação: 30 Maio, 2022 - 14h36

Escrito por: CUT-Rio

Divulgação
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Nessa semana, a população se deparou com mais uma chacina provocada por embates policiais. A política de enfrentamento permitida e incentivada pelo governo do estado do Rio mais uma vez acertou o alvo em 23 corpos na Vila Cruzeiro, favela da Zona Norte do Rio.

A ação teve a participação da Polícia Militar (PM), Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF). A primeira foi há um ano, na favela do Jacarezinho, onde 28 pessoas foram assassinadas também numa operação policial. Esses dois maiores massacres do Rio fazem parte de uma lista com 39 chacinas, em apenas um ano de gestão do governador Cláudio Castro, segundo levantamento obtido pelo UOL.

A operação que foi deflagrada nesta semana na Vila Cruzeiro a polícia chama de “uma ação de inteligência, construída há semanas”, segundo publicou a Folha de S.Paulo. Sem mandados de prisão, as forças de segurança tinham a intenção de interceptar um comboio fora da favela e prender os criminosos em flagrante. Ao contrário do planejado, cometeu uma chacina que resultou na segunda operação mais letal da história da capital fluminense.

Ainda segundo o levantamento, o Rio de janeiro tem sete dos dez municípios com as mais altas taxas de letalidade policial no Brasil. Dia após dia, trabalhadores e trabalhadoras de favelas são violentados(as) quando acordam com o barulho das rajadas de fuzil durante a madrugada. Não há políticas públicas para conter a violência policial, que enxuga gelo sem resolver a questão principal. Todos se calam sem se perguntar sobre a saúde mental da população submetida a esse terror, que perde o direito de ir e vir, fica isolada em casa torcendo para que uma bala não ache seus corpos, na maioria das vezes negros. Faltam ao trabalho, escola e são excluídos da vida social enquanto polícia e bandido trocam tiros na porta de suas casas.

O morador do Jardim Redentor, em Belford Roxo, na baixada Fluminense, Marcelo Silva, afirma que a opressão é constante. Ele tem sete filhos e sempre que há operação policial as crianças ficam sem aula. “A última operação foi nesse mês. Ficamos impossibilitados de sair de casa. Não conseguimos pegar um ônibus para ir trabalhar, o Uber não vem até aqui, as crianças ficam sem escola e o mercado não faz entrega”, explica ao dizer o quanto a população é oprimida e vulnerabilizada. O estado mingua nas mãos do atual governador que nem se quer tem um plano estadual de segurança pública, condição legal para receber recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública – FNSP.

A população do Rio vive a barbárie, sem expectativa de geração de renda e emprego, sem escola pública de qualidade e sem acesso à saúde, que já está precária e o governo federal ainda quer privatizar. O morador de área de risco, que pouco pode fazer, apenas assiste às atrocidades da polícia que segue matando ao invés de proteger, intimidando ao invés de ouvir. Segue apenas procurando um alvo.

A CUT-Rio divulgou nota repudiando o massacre de Vila Cruzeiro que, como as demais chacinas, representam uma política inaceitável de insegurança pública, como avalia o presidente da CUT-Rio, Sandro Cezar.

“Matança não pode ser política de segurança pública. A legislação não prevê que o Estado mate pessoas, ainda que criminosas. O que a lei prevê é que elas sejam submetidas à justiça para que sejam julgadas e, se condenadas, que cumpram a pena determinada. Não se pode normalizar esse tipo de ação que deixa vítimas dos dois lados. A polícia que mais mata é a polícia que mais morre. Isso não garante segurança à população, ao contrário. O levantamento prova que o Rio de Janeiro acumula ações bárbaras sem qualquer avanço em direção a paz”, afirma o presidente da CUT-Rio.