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Revoltados, trabalhadores paralisam Casa da Moeda contra privatização

Após entrevista desastrada de diretor, trabalhadores ocuparam a administração no 3º andar da presidência da empresa

Publicado: 11 Janeiro, 2020 - 16h27

Escrito por: CUT Rio

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O diretor de gestão Fabio Rito, concedeu na manhã da última sexta-feira (10) uma entrevista para o canal pago Globonews. No jornal, ressaltou a necessidade de cortes de pessoal e benefícios para manutenção da empresa. Para convencer, citou dados enganosos e acabou irritando boa parte dos 2 mil funcionários que trabalham na estatal.

O resultado foi quase imediato, trabalhadores se reuniam no refeitório e conversavam pelos corredores sobre o acontecido, alguns mais exaltados chegaram a aplaudir ironicamente o diretor. Tudo isso acontece em meio a uma retirada de direitos sem precedentes. Os trabalhadores têm relatado perdas como o adicional de insalubridade, a retirada do vale alimentação, cartão remédio e aumento do valor do plano de saúde em 75% para os dependentes, além da retirada da creche para os filhos dos trabalhadores e trabalhadoras.

Também haverá aumento da participação de cada trabalhador com as despesas como o custo do transporte (passará de 1% para 6% dos salários).

Com tanta coisa acontecendo, a fala de Fabio Rito foi o estopim para uma ocupação da empresa, que mobilizou no primeiro momento cerca de mil funcionários, que não se retiraram após o fim do turno. Somados a estes, chegaram os trabalhadores do turno seguinte. Cerca de 50 ônibus que fazem o transporte diário ficaram vazios esperando na garagem.

Os diretores do Sindicato dos Moedeiros foram chamados pelos trabalhadores para mediar a situação, esse pedido foi recebido como mais uma afronta pela direção da Casa, que havia proibido a presença das lideranças sindicais há alguns meses.

Instaurando-se a revolta no prédio da administração, diretores se trancaram em suas salas para não enfrentar as demandas dos trabalhadores. A situação só desescalou às 20 horas quando foi dado um abraço simbólico ao prédio da empresa dando fim aos protestos.

Privatização

O clima está tenso na Casa da Moeda não é de hoje. Apesar de ter prometido que não privatizaria a estatal, o Presidente Jair Bolsonaro cedeu às pressões do mercado e principalmente do seu Ministro da Economia, Paulo Guedes e colocou a empresa na lista das 17 estatais que serão privatizadas no primeiro momento.