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No dia 13 de maio de 2021, a CUT-Rio denuncia o Racismo Estatal

No dia 13 de maio de 2021, a CUT-Rio denuncia o Racismo Estatal

Publicado: 13 Maio, 2021 - 11h23 | Última modificação: 13 Maio, 2021 - 11h34

Escrito por: CUT Rio

Divulgação
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A CUT-Rio denuncia que 133 anos se passaram e a política de morte para o povo negro majoritariamente reescravizado no moderno processo de escravização permanece e nos traz a necessidade de refletir quem somos pretos, pretas e pretes, segundo Achille Mbembe.

A chacina do Jacarezinho reafirma a política colonial do intendente Cláudio Castro que inaugurou o governo do estado do Rio de Janeiro através da política de extermínio da população negra e pobre com tiro na “cabecinha”.

Recém empossado no cargo de governador, o Sr. Cláudio Castro, um ilustre desconhecido, faz sua estreia, dessa vez como governador de fato e direito, mostrando ser um fiel escudeiro da política assassina do ex-governador Sr. Wilson Witzel, em total sintonia com a política genocida da família Bolsonaro que, por sinal, se movimentou de maneira ativa para caçar o Sr. Wilson Witzel, privatizar a CEDAE e colocar um governador fraco e dependente das orientações políticas e econômicas do governo federal.

A chacina ocorrida no Jacarezinho não foi uma ação de política de segurança pública, mas sim uma ação de política da morte, que claramente confronta com a decisão do ministro da Suprema Corte, que suspendeu as operações nas favelas durante o momento pandêmico.

Repudiamos qualquer tipo de violência. Repudiamos a violência de caráter político, como a configurada com a presença do presidente da República, que esteve no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, no dia 5 de maio, e que, estranhamente ou imediatamente, no dia 6 de maio, assistimos a um banho de sangue na comunidade do Jacarezinho.

Repudiamos o descumprimento da decisão da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, proferida pelo ministro do STF Edson Fachin, pelo governador Cláudio Castro, que é ILUSTREMENTE DESCONHECIDO, assim como seu antecessor, cassado por desvio de verbas públicas no combate da COVID-19.

É imperioso relatar novamente que o alinhamento do governador, ilustre desconhecido, com a família Bolsonaro o faz cumprir a política de ataques permanentes ao povo pobre e preto, que moram nas favelas e periferia não ocupadas pela milícia no Rio. Ataques que sempre têm como maior vítima os trabalhadores, as trabalhadoras e seus familiares.

Rumba Gabriel, líder comunitário do Jacarezinho, disse: "Essa característica dos negros de fazerem suas casas no alto dos morros, era justamente pelo medo da polícia, que passou a desempenhar o papel dos capitães do mato, prendendo essas pessoas negras".

O ex-comandante de UPPs Robson Rodrigues classificou a operação da Polícia Civil no Jacarezinho como um “desastre” e com “resultados traumáticos”, após 28 pessoas morrerem em ação contra o tráfico de drogas, onde pelo menos 13 destas não tinham passagem pela polícia. Pelos resultados, não há outra palavra para classificar essa operação como um desastre, melhor dizendo uma CHACINA. “A segurança pública tem por objetivo a proteção da vida e não promover mortes. Nesse sentido, só por esses dados e por esses resultados traumáticos, essa operação foi um verdadeiro desastre”, disse Robson Rodrigues, ex-comandante de UPPs.

É necessário que algumas perguntas sejam feitas: o que representa a favela do Jacarezinho? Qual é a história daquele território? Quem levou as armas e drogas comercializadas no Jacarezinho? Quais são os valores que circulam naquela microeconomia? Qual é o impacto para a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras que moram no Jacarezinho? Como estão as escolas no Jacarezinho? Como está a saúde no Jacarezinho? Como estão os espaços religiosos no Jacarezinho? Como estão os espaços de cultura e arte no Jacarezinho?

Muitas perguntas serão feitas. Contudo, uma única exigência: basta de extermínio ao povo pobre e preto!

 

Aluízio Junior e Andrea Matos - Coordenação da Secretaria de Combate ao Racismo da CUT-Rio.