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Não conseguirão matar o sindicalismo

É chegada a hora de retomar a força de organização dos(as) trabalhadores(as)

Publicado: 04 Janeiro, 2022 - 16h18 | Última modificação: 04 Janeiro, 2022 - 16h40

Escrito por: CUT-Rio

Divulgação
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Há tempos o ataque ao movimento sindical é o esporte preferido de patrões, investidores, mídia, alguns governos e, o mais triste, até para alguns trabalhadores, incapazes de perceber que assim destroem sua própria força. Para o sucesso dessa estratégia era necessário não só desestruturar o sindicalismo, mas pôr fim às condições para que os sindicatos retomassem seu protagonismo. E isso parecia estar ocorrendo com tanta tranquilidade que erraram na dose, ultrapassaram os limites, como as gotas d’água que transbordam o copo.

Nos Estados Unidos, o ano de 2021, foi marcado por centenas de movimentos grevistas. O número de sindicalizações, depois de um longo inverno, voltou a crescer a partir de 2020, impulsionado por uma juventude antes distante do movimento sindical e inspirada pelo Black Lives Matter.


O economista Adhemar Mineiro recupera a história recente para ajudar a entender a mudança na maré.

“Essa conjuntura tem a ver com a degradação do mercado de trabalho nos Estados Unidos. Houve uma maré antissindical, de ataque aos direitos dos trabalhadores, desregulação do mercado de trabalho que vem do final da década de 1980 e se reforçou com a crise financeira de 2008, especialmente com a tomada forte de investidores financeiros que buscam lucros mais rápidos, isso degradou ainda mais a situação dos trabalhadores, já que a redução de custo da força de trabalho foi uma das imposições para obter lucros mais rápidos”, analisa.


Adhemar Mineiro ressalta que a pandemia aprofundou esse quadro e levou à aproximação com o movimento sindical, mas chama atenção para a conjuntura interna dos Estados Unidos: “Há um novo interesse dos jovens pela grande política e o papel que teve o movimento sindical na última eleição de ir ao chamado ‘cinturão da ferrugem’, áreas industriais degradadas onde os trabalhadores haviam votado no Trump e reverter parte dos votos, ajudando estrategicamente na vitória do Biden. Então, acontece um retorno das novas gerações, dos grupos étnicos, imigrantes ao movimento sindical e também da área do servidor público que a nova força da esquerda atuando dentro do governo”, afirma o economista.


Nesta conjuntura, o esgotamento dos trabalhadores é determinante para a reaproximação com os sindicatos:

“Os trabalhadores chegaram ao limite de suas condições de trabalho e começam a reagir. Uma das reações é voltar ao movimento sindical como estratégia de defesa, de negociação”, conclui.
E no Brasil? Para o presidente da CUT-Rio, Sandro Cezar, a multiplicação do trabalho por aplicativos é simbólica nesse novo momento.


“A intensa precarização do mercado de trabalho, que se aprofunda com os aplicativos, tem levado os trabalhadores a descobrir que acabam trabalhando mais e não tendo direitos. Isso, associado ao alto custo de vida, fruto da inflação, certamente fará com que uma parcela grande da sociedade reaja a tudo o que vem acontecendo de forma a impulsionar novamente o movimento sindical”, considera.


Sandro Cezar, entende que o ressurgimento do sindicalismo é indispensável para corrigir medidas de ataques aos direitos:


“Precisamos ter esperança de que seja reavaliada a reforma Trabalhista, como aconteceu na Espanha. Aqui, a reforma também prometia gerar empregos, o que não aconteceu. Da mesma forma, a reforma da Previdência que fazia propaganda da redução dos gastos públicos e na prática só criou desassistência social, reduzindo pensões e dificultando acesso aos benefícios devidos. A consciência sobre esses absurdos fará emergir um movimento sindical muito mais forte uma vez que as pessoas percebem que individualmente é impossível lutar contra esse sistema tão injusto que é o capitalismo. As pessoas começam a perceber o que é o capitalismo na prática e entenderão a importância do sindicalismo para enfrenta-lo”, afirma.


O presidente da CUT-Rio conclui chamando atenção para a atual oportunidade de dialogar com os trabalhadores e trabalhadoras: “Infelizmente, nosso país está mergulhado na fome e na miséria, mas temos que tirar forças para fazer desse ano eleitoral um ano de conversa franca e direta com a população. O que está em jogo não é só uma eleição, mas a vida de brasileiros e brasileiras, o nosso futuro. Temos muitas críticas ao modelo dos Estados Unidos, mas a derrota da extrema direita lá, construída também pelo movimento sindical que volta a ganhar força, nos anima a seguir”, reitera.