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Morte como política de segurança. Até quando?

Publicado: 07 Dezembro, 2020 - 11h00

Escrito por: Sandro Cézar

Divulgação
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Estes dias fiquei muito preocupado ao assistir muita gente boa e, inclusive alguns cristãos, defendendo a morte dos bandidos envolvidos no caso do policial militar assassinado covardemente na Casa & Vídeo de Mesquita, na Baixada Fluminense.

Quero, antes de qualquer coisa, me solidarizar com a família deste agente público assassinado no estrito cumprimento do dever. Quero estender também o meu lamento à morte das meninas inocentes em Duque de Caxias e do menino negro assassinado dentro de casa pelas forças policiais em São Gonçalo.

O combate ao crime no Brasil está totalmente errado, privilegia o confronto. De longe, o Brasil é o país em que mais morrem agentes de segurança em todo o mundo, mas onde também o Estado, na figura das forças de segurança, mais mata em todo o mundo. A nossa política de segurança não tem resolvido o problema da população. Temos a terceira maior população carcerária do mundo, prendemos como ninguém.

A questão da segurança pública deve mudar. A política do enfrentamento cobra caro, milhares de pessoas mortas todos os anos, os chamados efeitos colaterais, balas perdidas, fazem milhares de vítimas e a criminalidade cresce dia após dia.

A política de segurança deveria mirar na inteligência, no combate ao crime, evitando a entrada de armas e drogas no país. Combater também a lavagem de dinheiro das atividades ilícitas, com investigações pesadas sobre os recursos advindos de práticas criminosas.

Limitar a estratégia de segurança a colocar as forças policiais em confrontos todos os dias com criminosos tem o efeito de enxugar gelo. Matam e no dia seguinte tem dez para assumir o mesmo posto. O que sou contra é à morte como política de segurança.

Falo isso também pelas famílias dos policiais mortos todos os dias, sem um efetivo sucesso no combate à criminalidade. Temos visto vários casos em que as mortes seriam evitadas, bastando cercar o local e fazer os bandidos se entregarem. No entanto, o estímulo à política do confronto tem levado a isso: vidas humanas perdidas, gente comparando a vida de um agente público, de um cidadão e de um delinquente. Todos têm direito a vida, enquanto acharem que matar é a solução, todos correremos o risco de sermos assassinados.

Em países que o confronto não é prática, muito menos gente perde a vida de forma brutal. Inclusive as crianças, constantes vítimas de balas perdidas no Brasil, nesses países não são alvos como aqui. Somente no Rio de Janeiro este ano, já são 22 crianças baleadas. Uma situação inaceitável. A morte das duas primas é mais uma dor para todos nós.

Mas o que eu acho impressionante é gente responsabilizando quem defende os “diretos humanos” pelos assassinatos de agentes da lei. Essa é uma ignorância tremenda, pois os direitos humanos não são para bandidos apenas, como querem fazer acreditar. São para todos, inclusive, para você que quer todos mortos. Sim, pois onde todo mundo mata, os que ficarem vivos serão os homicidas. A defesa dos Direitos Humanos para todos não significa que defendemos a não punição ou a justiça.

Precisamos enfrentar o problema de frente, não podemos minimizar o fato que somos o país “sem guerra” em que mais morre gente no mundo. A solução é um novo modelo de segurança onde não tenhamos medo de andar na rua e que o direito à vida seja garantido pelo Estado, o que hoje não é!

Não adianta chamar de herói o policial morto. Hoje, a família dele não o terá em casa. Quem defende a política confronto estará defendendo que mais policiais morram, que tenhamos mais balas perdidas e mais cidadãos mortos, culpados ou não! Você pode ser a próxima vítima!

Para incentivar a matança basta o Bolsonaro. Eu defendo a vida!

 

Sandro Cezar, Presidente da CUT-Rio