• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

Evento na ABI celebra liberdade de imprensa com Glenn Greenwald

Ato teve a presença de atores, cantores, representantes de partidos e entidades e lotou sede da ABI

Publicado: 31 Julho, 2019 - 13h23

Escrito por: CUT Rio

Divulgação
notice

Nesta última terça-feira (30) a ABI foi palco de um evento que lotou as galerias do auditório com aproximadamente mil pessoas presentes, além de dois telões que reuniram cerca de mais duas mil pessoas para assistir diversos setores da sociedade defenderem a liberdade de imprensa.


Em um momento em que o executivo nacional ameaça jornalistas de prisão por fazerem seu trabalho, a atividade foi dada como de extrema importância por setores que nem sempre se falam. Com videos e intervenções que foram de Reinaldo Azevedo até jornalistas conservadores americanos como Tucker Carlson (Fox News), e até uma participação vaiada de Rodrigo Maia, o foco era defender os direitos constitucionais.

Marcado pelas declarações contra a postura de Bolsonaro, falas como as de Chico Buarque arrancaram aplausos efusivos da platéia “Tenho dificuldade de organizar meus pensamentos diante da enxurrada de barbaridades que acontecem toda vez que o Bolsonaro abre a boca”. Chico também pontuou sua descrença na lisura do processo eleitoral de 2018 “Está explícito para quem quiser aprender o que se armou para eleger esse governo.”

Os sindicalistas estiveram representados na fala do representante da FUP, Deyvid Bacelar, que exaltou a importância histórica da ABI e do trabalho dos jornalistas que defendem há muito tempo a soberania nacional “A ABI tem história e participou da luta do Petróleo é nosso e na criação da Petrobrás. Desde que descobrimos o pré sal, os EUA têm tentado roubar o que é nosso. Tem as revelações de espionagem contra o Brasil. É de suma importância a luta que você (Glenn) faz e que os jornalistas do Brasil, que são livres, ajudem a lutar contra a entrega das nossas riquezas.”

Uma das falas mais emocionadas foi a de Wagner Moura, que além de fazer a defesa da memória dos mortos da ditadura e dos povos periféricos do Brasil, fez uma irretocável defesa do jornalismo em nosso país “Esse é um momento de pura solidariedade, não só com Glenn, mas com qualquer um nesse momento que dignifique o que faz na sua profissão como faz o Glenn. É importante que sejamos solidários com qualquer jornalista que possa bater no peito e dizer que é jornalista de verdade e não se dobra aos interesses.”

 

Dentre as entidades e representantes do direito brasileiro, estava a presença de Wadih Damous, que além de ex-deputado federal, também compõe o time de advogados que defendem Lula “Graças ao Glenn hoje sabemos que foram praticados um rol de crimes que enche duas mãos. Agora com esse trabalho extraordinário que vem de um jornalista estrangeiro para mostrar o intestino dessa operação que está destruindo o Estado Democrático de Direito. O Brasil agradece e a democracia agradece o trabalho que você tem feito.”

 

Dentre as vozes dissonantes que apareceram, estava Reinaldo Azevedo, conhecido jornalista da direita brasileira que baixou suas armas para dar apoio ao trabalho feito pelo jornalista americano e sua equipe “(este ataque) Não se está buscando atingir somente um jornalista. O ataque é muito maior. Nós resistiremos pelas nossas diferenças, todo o apoio ao Glenn Greenwald e ao The Intercept Brasil.”

Coube ao diretor executivo do site The Intercept Brasil a tarefa de pedir ajuda ao público e entidades para que o trabalho deles ganhe ressonância e tenha algum efeito prático. Além de explicar as parcerias com veículos que apoiaram, entre outras coisas, o golpe, Leandro Demori fez um apelo “As instituições precisam se mover. A gente não pode fazer tudo. Vamos cobrar para que essa gente faça seu trabalho. Existe hoje uma superestrutura do monopólio de quem combate a corrupção com o lavajatismo. O que a gente tá fazendo agora é combater a corrupção no ministério público federal.”

 

A fala mais esperada da noite foi, obviamente, a de Glenn Greenwald que dedicou parte do seu tempo a defender sua família e dizer que não deixaria o Brasil por maior que fossem as ameaças. Explicou como o trabalho do The Intercept Brasil é complexo e feito por diversas mãos que não somente as dele e lançou luz sobre a estratégia que usam para desqualificar o conteúdo publicado pelo site “É incrível as vezes quando tem arquivos muito importantes publicados por outros repórteres na nossa redação e eles só citam a mim. Para eles eu sou o alvo perfeito. Eles podem me chamar de estrangeiro. ‘Ele é gay, ele é casado com um homem gay, um socialista’. É fácil entender pq estão focando em dizer que as reportagens são feitas por mim.”

Glenn também definiu bem o trabalho que tem feito e a importância de uma imprensa livre para o funcionamento pleno da sociedade “Todo mundo gosta de afirmar que apoiam a imprensa livre. Humanos não poder exercer poder na sombra sem transparência. Quem exerce poder nas sombras abusa do poder. E foi isso que aconteceu nos últimos quatro anos no Brasil. E eles só conseguiram fazer isso já que ninguém estava investigando. Por causa do acervo que temos podemos mostrar a verdade.”