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Estranho Brasil

Publicado: 20 Fevereiro, 2021 - 15h29

Escrito por: Sandro Cézar

Divulgação
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Não há como não estranhar viver num país em que se comemora a prisão de um parlamentar como se fosse um BBB da vida real.
É verdade que a decisão de manter o deputado bolsonarista preso tem sua importância por impor limites aos que dizem fazer uso da liberdade de expressão, preciosa na democracia, para na verdade destruir a própria democracia.

O ignóbil fascitóide se apropriou das vestes parlamentares para atacar o regime que lhe assegurou as prerrogativas do mandato concedido pelo sufrágio das urnas. E clamava na rua por ditadura. Ironia do destino: conheceu uma prática comum das ditaduras, por meio de uma decisão judicial de caráter um tanto quanto questionável, mas usual no tempo de exceção: a aplicação da temível Lei de Segurança Nacional.

A questão central aqui é que os excessos estão nos levando onde parece que poucos têm noção de onde é!

As transgressões às leis e à Constituição da República vêm sendo praticadas por aqueles que deveriam preservá-las, quem não lembra do “juízo universal de Curitiba”? O que acontecia no Brasil competia ao Juiz Sergio Moro julgar. Violando a figura da competência do juízo natural, o Moro escolhia o réu e orientava a acusação. Assim foi com Lula e outros mais. Até Guarujá passou a ser no alto da Serra da em Curitiba.

Entendi os brados fortes dos Ministros da Suprema Corte, mas este grito é tardio. Diriam os otimistas: antes tarde do que nunca. Mas a questão é que deram o boi para passar a boiada.

Imolaram o outrora “nobre deputado”, expressão não aplicável ao fascista que quebrou a placa da Marielle. Mas segue firme, com o mesmo discurso ameaçador à democracia, o detentor do título de Presidente da República. Isso, enquanto morrem 1000 brasileiros e brasileiras todos os dias, muitos perdendo a vida por falta de investimento no combate à pandemia ou sendo vítimas da forma do Governo Federal encarar a doença. Sem falar no sofrimento dos que foram empurrados para a fome e a miséria por esse desgoverno.
O ex-comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, assume em livro de memórias que o Alto-Comando se reuniu, às vésperas do julgamento do habeas corpus de LULA no STF, para tramar contra a República e ameaçar o golpe de Estado se libertassem o melhor Presidente que o Brasil já teve em toda sua história e preso injustamente.

Mais do que isso, achando pouco confessar o crime na publicação, ainda debochou dizendo que a reação deletéria do Ministro Edson Fachin era tardia, diria eu apenas um jogo de cena de quem compactuou com todo o horror que assistimos o judiciário fazer nos últimos anos. Escolhendo inimigos, assim foram tratados alguns.

O jogo para saber ser voltaremos a ter uma democracia plena no Brasil ainda será jogado. Para tal deveriam ser anulados os processos dos quais Lula foi vítima e ter punição severa aos que rasgaram o Código Processo Penal, sobretudo os membros da chamada Operação Lava Jato e o juiz de exceção de Curitiba.

A decisão de ontem, tomada pela Câmara dos Deputados em manter os efeitos da prisão do Deputado Federal, pode servir de alerta para Bolsonaro. O Centrão, para quem vendeu a alma, só tem uma regra, ser tão somente fiel aos seus próprios interesses. E isso às vezes.

Imunidade parlamentar não existe quando não se tem democracia e nunca se confundirá com impunidade. Foi esta a mensagem da decisão do STF.
Impeachment já!

Sandro Cezar, presidente da CUT-Rio