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Equipe de enfermagem flagra médico que estuprava grávida durante a cesariana

Publicado: 11 Julho, 2022 - 18h19 | Última modificação: 12 Julho, 2022 - 15h50

Escrito por: Tatiane Cardoso

Divulgação
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A notícia de que um médico foi preso em flagrante após estuprar uma grávida durante a cirurgia de cesária deixou a população horrorizada na manhã desta segunda-feira (11). A prisão do anestesista Giovanni Quintella Bezerra, ainda com a roupa do centro cirúrgico do Hospital da Mulher Heloneida Studart, foi efetuada pela delegada Bárbara Lomba, que está à frente da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), de São João de Meriti, cidade da Baixada Fluminense onde está localizado o hospital.

A denúncia foi realizada pelos enfermeiros e técnicos que conseguiram filmar o médico cometendo o crime durante a realização de uma cesariana. Eles relatam que já vinham desconfiando das atitudes do médico que trabalha no hospital há dois meses. Durante duas cesárias, realizadas no domingo (10), o anestesista utilizou uma quantidade de sedativo maior do que a habitual, o que chamou a atenção da equipe. Na terceira cirurgia, conseguiram filmar o momento em que o médico coloca o pênis na boca da paciente e comete o estupro.

Segundo a diretora do Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro (SINDENFRJ/RJ) e da CUT-Rio Elizabeth Guastini, a equipe de enfermagem tem o dever de zelar pelo paciente que está sob os seus cuidados. “O profissionalismo e a atitude em gravar o vídeo foi essencial para que o médico fosse preso em flagrante. A equipe do Hospital da Mulher agiu de forma exemplar. Não se omitiu diante de um caso tão sério. Foi um ato de coragem que vai evitar que esse médico faça outras vítimas”, afirmou Elizabeth que colocou a CUT-Rio e o Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro à disposição da categoria de enfermagem no decorrer do processo.

“O SinMed-RJ [Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro] repudia qualquer tipo de abuso e violência sexual. No caso em questão, o médico, no exercício profissional, aproveitou da vulnerabilidade da vítima para praticar esta violência. O SinMed-RJ defende que o caso seja apurado pelo Cremerj [Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro], inclusive com aplicação da pena máxima (cassar o registro), e pela justiça”, afirma Alexandre Telles, presidente  do SinMed/RJ.

Em nota oficial, o presidente do Cremerj, Clovis Munhoz, afirmou que a instituição vai abrir um processo para suspensão imediata do médico devido à gravidade das imagens. Em seguida, será instaurado um processo disciplinar de cassação. 

Já a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Estado de Saúde, as quais o Hospital da Mulher Heloneida Studart está subordinado, repudiaram em nota a conduta do médico anestesista. “Informamos que será aberta uma sindicância interna para tomar as medidas administrativas, além de notificação ao Cremerj. A equipe do Hospital da Mulher está prestando todo apoio à vítima e à sua família”, afirmaram.