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Debate sobre Segurança Pública no RJ reúne favela e academia

Com a presença de professora da UFF e de representações da favela, o evento debateu para quem é o modelo de segurança implementado no RJ

Publicado: 01 Novembro, 2019 - 09h33

Escrito por: CUT Rio

Divulgação
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Na noite desta quinta-feira (31), aconteceu no Centro do Rio de Janeiro o debate “Temos política de segurança pública no RJ, para quem?” que contou com a presença da professora da UFF, Jaqueline Muniz, o representante do movimento Pare de Nos Matar, Shaolin, a Deputada Estadual Renata Souza e a representante da Frente Brasil Popular, Dilcéia Quintela.

Shaolin, morador da Rocinha, iniciou a noite dizendo como existe uma parcela da população que enxerga na favela o medo, enquanto na favela se vive o medo. Foram feitas críticas às políticas do governo estadual e federal em como são apresentadas as políticas para segurança pública e concluído com um aviso “Somos 2 milhões e eu tenho certeza que um dia as favelas descerão para resistir a um novo tempo de construção do medo como política de estado.”.

Para a Deputada Estadual Renata Souza, a academia não pode estar apartada do que é o chão da favela. O diálogo precisa ser permanente mantendo a coesão entre quem vive o pesadelo de uma política que “mira na cabecinha e atira” e quem pensa os diferentes modelos que podemos adotar. A Deputada também apresentou números “Imagina cair um avião Boing 747 por dia no Brasil. É isso que acontece. Morrem 180 pessoas por dia no Brasil e sabemos quem são esses mortos.”. Segundo a Deputada esses mortos são os “Historicamente desumanizamos, esse corpo negro, jovem, descamisado e descalço.” que a sociedade aprendeu a ter como um “corpo matável”.

O choque de realidade veio com a palestra da Professora Jaqueline Muniz da UFF, que trouxe conceituações importantes para o debate. Ela explicou como a política de segurança hoje é uma política de espetáculo onde o marketing é o mais importante alimento de uma indústria que gera lucro em manter a guerra. A professora acredita que o tiroteio é uma estratégia de marketing, pois mesmo há quilômetros de distância do tiro, seu medo ainda pode ser sentido pelo som. Para aqueles que estão no meio do tiroteio, recai um sentimento de urgência que faz com que ele politicamente escolha pelo imediato, uma vez que não acredita ter um futuro. “Medo nao tem como se adiar, ele acontece agora.” diz ela.