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CUT-RJ repudia reintegração de posse em Itaguaí e exige liberdade para Eric Vermelho

Polícia Militar e batalhão de choque usaram balas de borracha e bombas de efeito moral para forçar saída de ocupantes; líder da ocupação foi detido nesta sexta-feira (2/7)

Publicado: 02 Julho, 2021 - 19h35

Escrito por: CUT Rio

Divulgação
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Na manhã desta sexta-feira, 2/7, um dos líderes da ocupação “Acampamento de Refugiados Primeiro de Maio”, Eric Vermelho, foi preso e encaminhado para a 50ª Delegacia de Polícia, em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A detenção aconteceu um dia depois da reintegração de posse do terreno da Petrobras, ocupado desde o dia 1º de maio de 2021. Segundo a 50ª DP (Itaguaí), Eric foi preso em flagrante sob acusação de “esbulho possessório, desobediência, parcelamento indevido de solo urbano e associação criminosa.” A CUT-Rio repudia com veemência a prisão política de Eric Vermelho e exige sua imediata liberação.

Por vídeo, Eric fez um protesto contra sua prisão e a ação do Estado sobre o acampamento. “É um absurdo, companheiros. Ontem, dia 1º de julho, fazendo dois meses que se instalou o Campo de Refugiados Primeiro de Maio – uma ocupação belíssima, as pessoas organizadas, mais de 4 mil famílias, ninguém passava fome, porque a gente tinha a solidariedade como primeiro mandamento –, infelizmente, a Petrobras, com o apoio de uma juíza que não tem coração, destruiu todo um acampamento completamente organizado em todos os sentidos. Hoje eu fui detido. Enquanto houver esse genocida, enquanto houver esse Estado de exceção, lutadores sociais, pessoas do povo, pessoas simples vão continuar sendo presas, enquanto os bandidos estão no governo”.

Diante da maior crise sanitária da história do país, fome e desemprego a índices alarmantes, milhares de brasileiros são desalojados e colocados à própria sorte. Cerca de 10 mil pessoas sem-terra ocupavam o local, segundo a organização, vindas, em sua maioria, da região de Itaguaí, da Baixada Fluminense e da Zona Oeste da capital e foram despejadas nesta quinta-feira, 1/7. A maioria, incluindo mais de 1800 crianças, não tem para onde ir.

A ocupação surgiu em protesto contra a falta de moradia, de comida e de vacina contra a COVID-19 e é liderada pelo Movimento do Povo, com apoio da Federação Única dos Petroleiros (FUP), do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), do diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) de Itaguaí, do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da Central Única das Favelas (Cufa), entre outras organizações sociais e movimentos sindicais.

A CUT-Rio manifesta apoio e solidariedade às famílias desalojadas, bem como a Eric Vermelho e às entidades envolvidas na organização do acampamento.