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Crise na Saúde do RJ é um plano político

Reestruturação da Saúde feita por Crivella e OSs são causas dos transtornos causados para a população

Publicado: 20 Dezembro, 2019 - 17h00 | Última modificação: 20 Dezembro, 2019 - 17h17

Escrito por: CUT Rio

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Contrariando promessas de campanha, o Prefeito Marcelo Crivella está pondo em prática uma reestruturação da Saúde que está causando a morte de pessoas. Se enquanto candidato prometeu o aumento de 250 milhões em investimentos anuais no setor, enquanto mandatário municipal, já cortou 725 milhões.

 

A Prefeitura de Marcelo Crivella está reorganizando o atendimento oferecido pela rede de Atenção Primária na cidade e divulgou em outubro o documento “Reorganização dos Serviços de Atenção Primária à Saúde”. Este documento tenta mostrar uma visão técnica, mas que na verdade o que faz é reverter o plano de governo apresentado pelo partido para a apreciação do povo.

 

Outra promessa de campanha era “manter e melhorar o programa Clínica da Família, contratando mais ginecologistas e pediatras para o atendimento às pessoas”. Apesar da promessa, só esse ano foram mais de mil demitidos das UPAs e mais demissões estão por vir. Equipes inteiras estão sendo desmontadas e dispensadas, em especial no sistema de OSs que dominam a assistência médica carioca.

A cada pessoa que morre no atendimento público hoje, temos mais um selo do que esta gestão está fazendo com o povo. Não se trata meramente de falta de recursos, ou de um processo que sabemos se arrastar por diversas gestões. Desta vez temos um plano político colocado em andamento. A decisão é pensada e repensada. O resultado é calamitoso.

A resposta do governo é de que há uma baixa na arrecadação e por isso os contingenciamentos e realocações de verba para outras pastas, escondendo o jogo político que disso provém. “Tentar convencer a população que essa crise é devida ao baixo crescimento da economia é esconder o real problema. É preciso reafirmar que esta crise vem da opção dos nossos governos  em fortalecer o estado mínimo de direitos em favorecimento ao estado capitalista, monopolista e rentista.” diz Edmilson do Sindicato dos Assistentes Sociais, se referindo a escolha que os governos fizeram por OSs em detrimento dos profissionais concursados.

Crivella é um grande algoz, mas não é somente a nível municipal que as coisas vão mal. A nível estadual e federal os sistemas também estão em colapso. Esta é a forma do grande drama da sociedade. Antes, quando se tinha um déficit em uma esfera da Saúde, se corria para a outra. Desta vez, não há para onde correr.

No meio disto tudo estão os trabalhadores. Muitos sem receber a segunda parcela do décimo terceiro salário (que foi prometida para esta sexta-feira, 20) e outros tantos sem insumos para trabalhar. Três meses sem salários é uma realidade comum hoje na cidade, um lugar comum que não pode ser normalizado.

Trabalhadores ficaram sem ter ao menos o que comer, frente a isso, o Sindicato dos Enfermeiros fez uma campanha emergencial de arrecadação de alimentos para subsidiar a sobrevivência dos funcionários da Saúde. “Não é só o trabalhador que está sem receber, é que não tem como trabalhar, não tem insumos, não tem custeio, não tem transporte, falta até luva.” contou Libia Bellusci, Diretora do Sindicato dos Enfermeiros.


Todos os sistemas de atenção básica foram afetados, inclusive os de atendimento psicossocial. A batalha porém não vem de hoje “Esse caos já está instaurado há uns dois anos. Os trabalhadores estão inclusive pagando do próprio bolso as despesas. Chegou em um ponto que não dá mais, por isso uma greve.” disse Marinaldo Santos, Diretor do Sindicato dos Psicólogos.

Não é raro entre os trabalhadores de diversas áreas a reclamação de que tudo se deve à expansão desordenada das OSs, que começou na prefeitura de Eduardo Paes, mas atingiu um estado ingovernável na gestão Crivella