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Comemoração dos 100 anos da OIT tem mesa redonda no IFCS

Atividade propôs pensar os desafios e o futuro do mundo do trabalho com pesquisadores da área e representante dos trabalhadores

Publicado: 14 Novembro, 2019 - 12h49 | Última modificação: 14 Novembro, 2019 - 12h59

Escrito por: CUT Rio

Divulgação
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Em comemoração ao centenário da OIT, que completa seus 100 anos em novembro de 2019, aconteceu na noite desta quarta-feira (13) no IFCS, uma mesa redonda juntando pesquisadores da área do trabalho especializados na organização e um representante dos trabalhadores para contar suas experiências.

Com a mediação da professora Maria Cristina Rodrigues (ESS/UFF) e comentários da professora Elina Pessanha (AMORJ IFCS/UFRJ), a mesa teve a presença do Secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa.

O evento também contou com as exposições da professora Hildete Melo (Economia/PPGPS/UFF) sobre a OIT e as mulheres, a pós-doutoranda Márcia Barroso (PPGSA/UFRJ) sobre a OIT no Brasil e a professora Sayonara Grillo, sobre o futuro do trabalho.

As falas deram conta do inicio da OIT até o que se espera da organização para o futuro. Contendo todas as transformações e mudanças de representatividade que aconteceram durante a história, tivemos duas distintas perspectivas: a de estudiosos do tema e de pessoas que vivem a OIT no seu funcionamento. Tendo em vista a atuação atual da OIT,  Antonio Lisboa é taxativo “Os empregadores vem pra cima dos trabalhadores, os governos ficam refém dos empregadores. Mas nós não vamos construir a saída dentro de uma sala.”. Ele se refere a natureza tripartite da OIT que inclui governos, empregadores e trabalhadores. Enquanto os governos estão espalhados, os empregadores estão centralizados mundialmente em grandes corporações. Os trabalhadores por sua vez tem que dar conta de estar organizados e representados em vários lugares, em especial nos ambientes de trabalho para que possam atuar de forma contundente com a realidade que os desafios do novo mundo do trabalho impõe.

No que tange o trabalho das mulheres, segundo a professora Hildete Melo, a OIT tem uma dívida histórica e um desafio constante “Tudo que é relacionado ao poder, mesmo que no mundo do trabalho está na mão dos homens.”. Com isso, a OIT demorou quase 100 anos para fazer propostas para o trabalho doméstico, por exemplo, ocupação mundialmente dominada pelas mulheres. 

Na fala da pós-doutoranda Márcia Barroso, o foco foi a OIT no Brasil, que só em 1950 teve seu primeiro escritório no país. O foco da organização era trabalhar junto ao Ministério do trabalho e garantir a qualificação da mão-de-obra, um objetivo muito aquém do que se enxerga hoje na sua atuação. Em 1977 inaugura-se a sede própria em Brasília, o que fortalece a centralidade e independência em relação ao governo, atingindo sua real finalidade de ter a participação das três partes relevantes. Outro ponto importante foi a prova científica de que “Nos períodos democráticos o brasil teve um número maior de ratificações.”, isso é, as ratificações de resoluções da OIT tiveram uma queda significativa nos anos 70, quando houve um endurecimento do regime militar no Brasil. Essa é a confirmação do que parece óbvio, de que democracias ajudam a vida dos trabalhadores e quanto mais democrático um regime, mais se avança nas legislações que amparam os trabalhadores.

Quando se trata do futuro, a professora Sayonara Grillo aponta que a maior inovação da OIT é “A ideia de que o trabalho não é uma mercadoria.”. O pensamento na humanização dos processos de trabalho já era pensada, mas agora atingimos um nível nunca antes visto de globalização e com ela a uberização do trabalho e a implementação do trabalho não humano.

A criação de novos mecanismos como as “declarações” da OIT, são uma resposta a perda de legitimidade que aconteceu nos anos 90, na pós queda do muro de Berlim, onde outras entidades como a OMC (Organização Mundial do Comércio) passam a ditar também o que deve ser feito em relação ao trabalhador. Ao invés de trabalhar só com convenções e ratificações, a OIT passa a fazer estas declarações, como meio de reaver o protagonismo que uma organização com a presença de governos, empregadores e trabalhadores têm que ter.