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ARTIGO| Última carta a meu mestre Geraldo Sarno

Despedida ao cineasta conhecido por abordar o movimento migratório brasileiro (em especial o nordestino), as religiões e culturas populares

Publicado: 25 Fevereiro, 2022 - 16h28 | Última modificação: 25 Fevereiro, 2022 - 16h52

Escrito por: Reinaldo Sant'ana

Reprodução Internet
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Hoje dou adeus ao meu mestre Geraldo Sarno, coincidentemente nasceu no mesmo mês e ano de minha falecida mãe, em março de 1938. Partiu nos deixando reflexivos sobre sua obra magistral.

Roteirista e diretor de cinema brasileiro, Mestre Geraldo, desde início dos anos 80, me colocava desafios como aprendiz, o que sempre se deseja de um mestre.

 Refletia o Brasil e pensava sobre os caminhos. Como cineasta, ficou conhecido   por abordar temas como o movimento migratório brasileiro (em especial o   nordestino), as religiões e culturas populares. Também me questionava e   formava em meu ser de cineasta que sou, um olhar sobre a formação do povo   migrante em nosso país, quando abri meus olhos encantado pela sua obra e   construí em parceria com Oscar Gil em Angola o Dona Zungueira, uma série   sobre a migração e guerra da Angola - personagens do pós-guerra. Uma   matéria prima, como ele falava, invejável. Havíamos marcado de ele ir ver o   processo, mas veio a pandemia. A mesma que levou sua saúde e vida.

  Em 2008, ele concebe sua obra prima recebendo o prêmio de melhor direção   no Festival de Brasília, pelo filme Tudo isto me parece um sonho - história de um general pernambucano Ignácio Abreu e Lima, que, ao lado de Simon Bolívar, participou de batalhas que resultaram na libertação da Colômbia, Venezuela e Peru da Coroa Espanhola no século XIX. Falava de uma América bolivariana contrariando os pensamentos retrógados que preferem enaltecer aos colonizadores e imperadores.

Sei que estar falando na primeira pessoa é algo que coloca a Secretaria de Cultura da CUT-Rio em um lugar íntimo das artes e dos artistas. Mas eu me propus a fazer este meio de campo. Só que não pensava que seria na despedida de meu mestre.

Dedico não só a ele, mas a todos os artistas que vivem esta efêmera vida de suas obras eternas. Adeus Geraldo Sarno deste plano e, bem vindo Geraldo Sarno, ao plano imortal em sua arte.

Gratidão de um eterno aprendiz,

Reinaldo Sant’ana