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30 anos dos mortos na CSN e a importância da memória

Neste dia que completam 30 anos da invasão da CSN por militares e do assassinato de trabalhadores que lutavam por dignidade, as lições do passado são mais presentes do que nunca

Publicado: 09 Novembro, 2018 - 19h30

Escrito por: CUT Rio

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No dia 9 de novembro de 1988, três metalúrgicos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) morreram: William Fernandes Leite, 22 anos, com tiro de metralhadora no pescoço; Valmir Freitas Monteiro, 27 anos com tiro de metralhadora nas costas; e Carlos Augusto Barroso, 19 anos, com esmagamento de crânio. Outros 31 ficaram feridos.

O saldo negativo foi resultado da invasão de soldados do Exército de vários quartéis do Estado do Rio e do Batalhão de Choque da Polícia Militar para reprimir manifestação em frente ao escritório central da usina e por fim à greve dos trabalhadores. No dia 7 de novembro de 1988, os operários da CSN entraram em greve. Lutavam pela implantação do turno de 6 horas, reposição de salários usurpados por planos econômicos e reintegração dos demitidos por atuação sindical. A greve envolveu a comunidade de Volta Redonda.

A greve foi uma greve pela vida, como relatam os sobreviventes do episódio. A principal motivação era a qualidade digna de trabalho e o meio de subsistência econômico. Hoje temos um cenário onde o Ministério do Trabalho pode ser extinto, onde os gastos públicos estão congelados por 20 anos. 

Assim como naquela sociedade de Volta Redonda, a sociedade brasileira se envolve em massa nos processos revindicatórios que passam de uma questão meramente sindical e trabalhista, para uma questão humanitária de direitos.

O Governo Sarney mandou o Exército para reprimir os trabalhadores naquela época. Soldados do Exército do Batalhão de Choque da PM dispersaram uma manifestação e invadiram a usina, ocupada pelos funcionários. Mesmo após os assassinatos dos três operário e prisões de vários outros, a greve continuou até o dia 23 de novembro de 1988. Os trabalhadores conquistaram todas as suas reivindicações.

Não sabemos o que fará o governo Bolsonaro quando as massas reagirem e nossa situação enquanto trabalhadores continuam se degradando, mas teremos conosco a memória de companheiros como Valmir, William e Barroso que entregaram a própria vida pelo bem coletivo e todos os outros cidadãos que mesmo oprimidos em risco eminente de morte, seguiram a luta até a vitória daquela batalha.